terça-feira, 21 de julho de 2015

FÉRVIDO





Sempre foi bicho, muito bicho. Com ferocidade descomunal constituída de feridas, maldade e valentia. 

E Paixão! Havia muita paixão nessa velocidade de se entregar com orgasmos contidos, palpitações vulcânicas por VIDA. 

Era indomável, é indomável. Onde há loucura suficiente para a alma mais equilibrada se perder e doçura suficiente para se envenenar.  

E chamou o invisível e ele veio, arrastado e seduzido sem imaginar a razão de estar lá, sem nada saber. 

Ela sempre soube dos truques dos senhores do invisível e nunca se assustou com as sombras porque a escuridão foi sempre o seu melhor lado. 

Era da escuridão, que ela via nascer os raros fachos de luz que sortudamente ainda lhe chegavam à testa.

Ele era o produto domesticado e ludibriado pelo controle fantasmagórico da vulva, da vil e humanidade selvageria que havia naquele bicho. Uma serpente com beijo de mel. 

Não se sabe de onde veio ou para onde irá, é atemporal, instrumento de si mesmo.

Ela não tem músculos, ela tem palavras e essa é sua força. Finalmente, ela está no Deserto e, aqui, ninguém a alcançará, jamais.

E por favor, façam silêncio quando ela gritar.

Psiu!