segunda-feira, 28 de março de 2016

Eu sei que ele ainda existe





Às vezes, eu gostaria de entender algumas coisas, gostaria mesmo, no entanto, tem coisas que são segredos de Deus, e Ele, em toda sua grandeza, infinidade e completude não pode nos deixar conhecer. Entre essas coisas que não conseguimos compreender com exatidão, permanece o amor.
Em um mundo cheio de corações quebrados e desencontrados deve ser uma sorte muito divina quando almas que sempre tiveram a mesma busca se encontram.

Outro dia, eu falava com uma pessoa e ela me dizia que não acreditava no amor. Esse é o discurso mais reiterado que existe sobre esse sentimento. Aposto com vocês que nesse exato momento, se vocês lançassem uma pergunta sobre esse sentimento a mais ou menos umas dez pessoas, infelizmente, seriam negativas as impressões sobre ele, do tipo que é lindo, porém, na vida real, não existe.

Eu olho ao redor e o descrédito em relação a ele é enraizado. Realmente, amar tem sido um dos planos mais audaciosos e corajosos, principalmente nos tempos atuais, ainda mais, com tanta oferta nas redes sociais.  São muitas questões que dificultam o amor. Penso eu que se todas as pessoas ou boa parte delas não acreditam que podem encontrar o amor de suas vidas, então, realmente não encontrarão, afinal, a mente direciona ao encontro daquilo que temos como intenção. Partindo desse prisma, então, os desencontros, os casos, as casualidades sexuais sempre estarão em alta. NADA CONTRA ISSO! POR FAVOR! Mas, é que eu acho que o amor não é um ladrão, entende? Como? Vou explicar o que eu acabei de dizer.

O amor é uma construção diária e cuidadosa. Primeiro, você tem que desejar amar! Isso mesmo! Pode parecer uma loucura, mas é isso mesmo! Se você deseja um amor de verdade, você tem que desejar isso, tem que desejar que sua alma seja tomada por alguém, que seu coração seja preenchido e que seja ETERNO. Depois dessa intenção, você tem que acreditar que Deus colocará essa pessoa na sua vida, e isso, podem deixar nas mãos dele.  Deus é um ser sábio por demais, sendo assim, Ele fará isso. Ele sabe as intenções mais secretas de nossos corações e permitirá SOMENTE AQUILO que envolve muito mais do que qualquer coisa efêmera ou carnal.

E voltando ao que eu disse, eu não acredito que o amor seja um ladrão, algo que rouba de você o ar em quinze minutos sem antes ou depois. Primeiro, é uma descida sobre cada pele que cobre o ser amado. É dia a dia estar curioso por conhecer o que há no ser amado e que ninguém conhece, é a intenção mais real e profunda de abrir sua alma e deixar que o outro entre dentro dela, e nisso tudo, ambos terem a intenção   mais verdadeira de respeito e desejo por si mesmos. É semelhante a dois grandes guerreiros que, a princípio, por serem tão bons, poderiam estar em lados opostos, no entanto, as habilidades de cada um são tão especiais, tão únicas que sentem a necessidade de se unirem e lutarem do mesmo lado.

Eu não sei qual sua praia, mas estou naquela   que diz que o amor é um empreendimento que deve ser cuidado, observado todos os dias. E isso, meus caros, acreditem no que eu estou dizendo: é uma das coisas mais difíceis que existem e podem existir.
Primeiro, você arrisca tudo. Essa é a lei fundamental de amar. Não há nenhum tipo de garantia, risco calculado, projeção que nos dê a certeza que teremos lucros. Esse é um projeto de alto risco, em razão disso, estimo que somente dez por cento queiram dar tudo, absolutamente tudo de si, todas as suas reservas de mãos beijadas.

Outro ponto bem interessante é que o amor é eterno sim, porém ele precisa ser tratado semelhante a um bem precioso! E é justamente nesse ponto onde muitos de nós cometemos erros recorrentes. Temos a mania de considerar que porque somos amados, não precisamos nos empenhar para que o sentimento permaneça. Ao contrário! É preciso de atenção, ajustes, além de ser uma CONSTRUÇÃO! Infelizmente, os desencontros amorosos ocorrem justamente por causa disso: achamos que o outro vai nos amar eternamente, por isso, o pouco cuidado, o desdém e tantas outras ações negativas contribuem para o final.

Reitero: o amor é o mais ousado e arriscado empreendimento que há.
Isso não é uma receita. Não é uma forma de definir o que é o amor, pois obviamente, como eu disse a princípio, é de conhecimento de Deus o que ele realmente é. Eu, nesse caso, consigo apontar o que não é; consigo apontar, também, caminhos que indicam se ele pode vingar em determinado coração ou não, somente isso.


No fim, eu somente queria que o amor fosse um objetivo, não o fruto mais escasso do nosso tempo.

_ Eliane Vale 

sexta-feira, 25 de março de 2016

O mundo que não vemos quando não estamos ali.



Eu sempre tive curiosidade de saber como as coisas funcionam quando não estou nos lugares.
Eu tinha o desejo de saber como tudo funciona quando não existo, quando não estou naquele plano, naquela esfera. Não falo de uma forma atrelada à conversa de bastidores que ocorrem ou possam ocorrer quando qualquer um de nós estamos distantes. Falo de outra coisa. Falo de tudo que engloba o que somos e como impactamos ambientes e pessoas, e também, de como somos ausência ou nada quando não exercemos influência alguma.

Mas, enganei-me muito, ou nos enganamos deveras quando consideramos que até nossa ausência não é nada. O nada também impacta sobre o que existe. O nada é uma força, que seja uma força de retração ou negativa, mas é uma força. Ao que me parece, nesse mundo, não há como vivermos sem causar impacto algum. Sempre o que dizemos, o que fazemos causa repercussão, consequência e, até nosso silêncio, também é ação.

Quando eu saí daquele apartamento, resolvi experimentar isso. Resolvi ir onde eu não existia.
Eu não estava em diversos lugares...  Em diversos lugares, pois, eu olhava para mim, e eu estava ali, eu somente conseguia detectar onde eu estava, porém, naquele dia, naquela noite, eu precisava eleger apenas um lugar para ir. Eu queria saber como as coisas funcionam sem mim, como as pessoas são sem mim. O grande problema, a grande incoerência disso, desse meu desejo inusitado é que na hora em que eu intentasse ir onde eu anteriormente não estava, o meu objetivo inicial fracassaria: Ora! Eu acabaria de me fazer presente, logo, alteraria toda a ordem do ambiente.
Nesse ponto, notei uma coisa muito estranha... A minha ausência era a coisa mais presente nas pessoas, nas coisas, nos ambientes de todo o mundo, e a minha ausência era inalcançável. Era A MINHA AUSÊNCIA QUE MAIS EXISTIA.

Eu tinha brigado com Deus naquela noite. Eu já briguei com Deus muitas vezes. Mas, continuamos com o nosso embate eterno: ELE me ama e eu nunca termino minha conversa com ele, pois sempre alongo de forma proposital. É que preciso DESESPERADAMENTE DELE a todo tempo, a todo momento e para sempre, apesar de todo meu orgulho, é sem sentido eu esconder isso Dele, que dirá de vocês?

Continuemos. Saí, e em todos os lugares que intentei saber como minha ausência se fazia presente nos ambientes, percebi que fracassaria, haja vista que ao chegar, eu não mais perceberia minha ausência, pelo motivo óbvio de estar lá. Não é que me veriam. Não é isso.
É que me sentiriam. E sentir, SENTIR vale muito mais, muito mais do que qualquer coisa, QUALQUER COISA.

Depois, tive uma ideia: que tal ir a um lugar que nunca fui? Se assim, eu fosse, perceberia inicialmente minha ausência ou presença impactando aos poucos.
Essas coisas passavam pela minha cabeça ao mesmo tempo em que eu mesma me corrigia:
´´o problema é que eu estava querendo ser Deus...``

Eu viajei. Desci as escadas do mundo, e encontrei Deus numa esquina. Ele me olhou com desdém. Não me perguntou nada nem para onde eu ia ou se iria me encontrar com alguém. NÃO ME PERGUNTOU NADA! Deus havia me deixado livre, ao menos, daquela vez.
Eu não posso contar o que vi. É que Deus não permite isso.
Mas, eu posso dizer que fracassei. Nunca deveria ter saído da varanda.

Eu amei o mundo. Amei tudo que nele havia e como ele se apresentava para mim. O mundo era vasto, sombrio, iluminado e eloquente. Deu-me tudo que ele poderia e eu, em contrapartida, dei-lhe da mesma forma, tudo que havia em mim. O mundo morava na minha varanda. Vez ou outra, eu olhava para ele.

Quando desci as escadas e virei a esquina, encontrei um senhor de barba branca aparentando seus cinquenta anos, e ele me perguntava se eu havia esquecido o manual, O MANUAL!
Claro! Eu havia esquecido o manual! Como eu poderia ter esquecido? Voltei, subi as escadas correndo, porém, para minha frustração, Deus me segurou pelo braço.
_ Que foi? Solte-me!
_ Retorne. Nada de manuais, mocinha!


Eu odiava   nadar à deriva! O-DI-A-VA! Odiava não saber!!! Odiava não ter certeza!! Minha vida sempre é pautada sob certezas. Difícil isso? É, é bem difícil mesmo de acreditar, mas não fico à deriva, ISSO, NÃO! JAMAIS! Mesmo assim, obedeci à contragosto. Não peguei o manual. Daquela vez, daquela única vez, eu ia dar uma chance ao mestre do mundo. Eu não iria usar o manual somente porque tinha sido Ele que havia me pedido. Daquela vez, eu tinha deixado tudo nas mãos de DEUS, e eu sabia que estava nas melhores mãos.


_ Eliane Vale