Quando criança imaginamos e desejamos inúmeras coisas. É
fácil todas elas. Ser astronauta ou bombeiro tem o mesmo grau de dificuldade e,
sendo criança, o grau é quase nenhum. O que basta mesmo é o desejo ardente no
peito de dizer ´´quando crescer, quero ser ...``
Contudo, ao crescermos, passamos por situações que nos fazem
esquecer essa criança dócil que havia em nós. E com isso, tornamo-nos arredios
e fiéis, não aos nossos sonhos mais íntimos e genuínos, mas fiéis ao fluxo do
mundo, às tendências das correntezas. Por fim, quando nos perdemos por
completo, fazemos parte da média, isso mesmo, da média das pessoas que pouco
vivem ou pouco sonham; pouco desejam ou pouco se arriscam. Nesse momento,
matamos o nosso coração e toda a capacidade de ser quem desejamos ser; toda a capacidade
de sermos aquele para o qual realmente viemos para ser.
Muitos de nós não somos o que queremos ser. Pensar que
morreremos e perderemos a única oportunidade de ser tudo o que um dia nosso
coração fez bater é algo desastroso.
Mas se você realmente quer imaginar isso, quer imaginar o
quanto isso pode ser fatal, pense exatamente agora que você não viverá para
sempre, e que irremediavelmente, seu último dia chegará.
Neste exato momento, o
arrependimento e a tristeza por não ser ou fazer o desejo de seu
coração lhe atormentará. Você não tem mais tempo. Todo o tempo que você achou
que tivesse era uma armadilha de sua mente: você não tinha todo o tempo do
mundo. Então, sob essa perspectiva, aproveite agora o que há de
mais verdadeiro no seu coração. O seu mundo é o que há nele. Esqueça a média das pessoas que fazem o que
sempre fazem, que dizem o que sempre dizem. Não! Isso não é caso de rebeldia.
Apenas, faça e sinta o que existe no seu coração. Não há como ser verdadeiro
com os outros, se passou a vida inteira mentindo para si. Comece do zero. Comece
o ano sendo você, porque isso pode lhe provocar desconforto e medos, mas jamais
será uma mentira ou covardia.



