domingo, 30 de outubro de 2016

Resposta de email: eu morri






Minha caixa de email estava cheia mais uma vez, e lá, surpreendentemente, estava o seguinte texto:

´´ Algumas pessoas mudam, mudam totalmente. Mudam porque o mundo nunca as conheceu de verdade. Tudo que viveram até dado momento era uma caricatura do que desejavam ser, do que projetavam para suas vidas, mas, em um dia, cai sobre elas a verdade do próprio ser. Outras, jamais mudarão. Jamais mudarão! São pessoas constituídas de pluralidades, e a cada tempo, vestem as roupas que são naquele momento! São pessoas mundos, como diria um poeta descompensado.  Mas, hoje, eu me lembrei de você, de VOCÊ, e não cheguei a nenhuma conclusão... Você pode me ajudar ? ``

 O email acima vinha de um amigo que por muitas vezes, também, se vestiu de camaleão durante sua vida, mas ele, ao contrário de mim, tinha acertado o passo. Ele já sabia concatenar os mundos que viviam nele. Já os meus continuavam vivendo e morrendo nos extremos que sempre viveram e que sempre foram.

O corpo possui vozes.  A cognição pode nos dar percepções mais profundas do que se vê, do que se pode tocar, e às vezes, do que se pode dizer. E este mundo é um amontoado de frequências cognitivas!!!  Sinceramente, o conteúdo do email não foi nenhum espanto para mim, apenas o que me causou surpresa foi o seu emissor. Mas não é isso que é importante: nem o conteúdo, nem o emissor.
Não é cortante! Não escrevo isso sangrando como muitas vezes escrevi, como muitas vezes deitei toda minha alma aqui. Não escrevo mais daquela forma. Eu morri. Eu estava esperando o momento exato para dizer aos mais íntimos, aos mais queridos, que eu morri. Foi uma morta triunfal, acredite! Todos os dejetos, sangue, vísceras foram expostos. Tudo de mais horrível esteve à mostra para os amigos e inimigos, por isso, fui execrada. Eu morri!  Em posse dessa verdade que lhe conto, direi a outra parte, a que foi ocultada até o presente momento. Ouça! E se for realmente do seu interesse, continue a leitura, caso contrário, pare, por favor.

Depois de minha morte, quando fui sublevada dessa matéria para outra dimensão, estive por três vezes em contato com meu demônio particular.  O primeiro encontro foi bastante atraente, lascivo.  Apesar de ele ser quadrimensional, eu sabia da existência dele, eu sabia exatamente com os mínimos detalhes que ele vivia, que estava perto de mim, que me vigiava, e que me queria. Eu conhecia o demônio minunciosamente, e nunca tive problemas com isso.  O problema é que eu não me conhecia!!  E esse sempre foi O MEU CALCANHAR DE AQUILES !!!

Não posso dizer o que nós conversamos, mas ele me deu algumas instruções.  E eu me lembro PERFEITAMENTE do seu rosto, olhar, voz e gesticulação. IN-CRÍ-VEL !!
O segundo encontro, foi bem mais perturbador. Dessa vez, não me deu NENHUMA INSTRUÇÃO !!! Nada!! O que posso dizer é que ele me desafiou. Nesse encontro, ele me fez dois testes que desejavam medir algumas coisas em mim. Mais uma vez, permaneci intacta, altiva e firme.

E por último, na última vez, pouco falamos. A sua tentativa comigo foi diferente, dessa vez. Astutamente, tentou me enganar. Não sei se ele conseguiu, mas o que sei é que suas investidas são constantes, e que apesar de eu ter morrido completamente, tenho também vivido outros padrões, outras transcendências.
Por fim, acho lamentável morrer e ficar presa

à matéria. Pessoas mortas, dessa forma, não possuem alma e isso é muito perigoso.
Ah! Ia esquecendo!!! Espero ter deixado você satisfeito.
Bom domingo!!

Sem mais, Fernanda Soares.

Secretária Execultiva da Plug Plugues.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Eu não quero mais me magoar





´´Eu queria voltar a acreditar``, essa foi a frase que ouvi, logo pela manhã, e me chamou a atenção.  E eu fico pensando quantos de nós queremos voltar a acreditar no outro, no companheiro, no amigo.  Realmente, relacionar-se não é nada fácil.
Estamos vivendo uma grande safra de corações quebrados. Mas, ao mesmo tempo que digo isso, sei que em todo tempo, existiram corações quebrados.  No entanto, o que me trouxe até aqui foi o antes e o depois de quando nosso coração é espatifado. Ao que me parece, esses são os pontos chaves da questão.
Nascemos com coragem. Somos seres corajosos desde o nascimento, e isso é muito perceptível quando somos crianças. Basta que observemos a quantidade de vezes que caímos, e ainda assim, corremos desesperadamente por qualquer coisa ou por nada mesmo, apenas pela diversão e desafio. A nossa coragem pueril nos faz colher raladuras, hematomas e, para aqueles mais atrevidos ainda, algum corte que nos leva a ter que passar por suturas. A coragem que temos quando criança é admirável. A queda que sofremos na semana passada não nos impede de correr novamente. A gente se atira mesmo. Mas, não é assim que acontece quando crescemos. Realmente, nascemos com coragem, mas aprendemos a ter medo, e o medo muda tudo. O medo se aprende. A coragem, não.
O grande problema de termos sido magoados, desrespeitados e não amados como merecíamos é porque muitos de nós levamos conscientemente ou não, essas experiências negativas para o próximo relacionamento. Ficamos com medo. Então, passamos a nos monitorar o quanto podemos dar ao outro, seja no amor, seja na confiança, seja no respeito. Construímos, então, um relacionamento medido, negociado na moeda ´´só dou, se me der; só faço, se fizer``, e com isso, expandimos nossa experiência desastrosa para outros corações, outras vidas. Na verdade, apesar de não querermos, alargamos esse efeito dominó   amoroso em nossa   vida por muito mais tempo, ainda que a pessoa que nos fez passar por tudo isso, já tenha ido embora há séculos.
É fato que qualquer experiência pode nos trazer crescimento, aprendizado. Mas, aprendizado e crescimento significam justamente a busca por novos caminhos, novos interesses para conduzir a novos resultados, e talvez seja aí, o pulo do gato, como chamam. Pois, desenhar um novo padrão do que se quer é dificílimo, e quando se consegue, ainda temos que deixar as lembranças negativas do passado, no passado. É óbvio que não estou dizendo que devemos nos atirar a qualquer um sem cuidados, mas, observe que se previamente nos condicionamos a querer algo, de cara, já diminuímos as incidências de algumas coisas que não desejamos. O interessante disso tudo é que nenhum relacionamento é uma receita de bolo, ok? Ou seja, ainda que você faça tudo certo, acredite, pode dar errado, muito errado mesmo. Mas, sabe aquilo que você, eu, e todos nós sabemos de cor e salteado? Sim! Isso mesmo! Que amar é um risco? Pois é! Amar é um risco tremendo, então, ainda que você faça seu melhor, algo pode acontecer, mas isso não é sua culpa! Compreenda que você fez o seu melhor.
Um dia, você acreditou em alguém com pureza e ingenuidade. Também amou.  Infelizmente, decepcionou-se tanto que redesenhou para si o padrão que não queria que existisse no outro. E você errou quando fez isso, e não quando amou, entende? Isso foi o aprendizado que obteve? Não. Isso foi o medo! Foi o medo que enclausurou você, e enclausura a tantos de nós, justamente para aceitar que o ´´menos`` ou o ´´mais ou menos`` é o que realmente existe, e nos fazer acreditar que ficar com um patamar mediano já é de bom tamanho. O medo é uma armadilha tremenda. Ele reduz nossas capacidades, oportunidades, qualidades, exigências, sonhos e esperanças. O medo não nos deixa ser crianças... A gente nunca mais corre porque temos medo de ralar o joelho.

´´Eu queria voltar a acreditar`` é o que diz um coração espatifado por outro, e por mais que esse outro já não mais seja presente, ele ainda vive nesse coração. Como? As raladuras sararam, mas além das cicatrizes, o medo se instalou. 

Eliane Vale.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Eu sei que ele ainda existe





Às vezes, eu gostaria de entender algumas coisas, gostaria mesmo, no entanto, tem coisas que são segredos de Deus, e Ele, em toda sua grandeza, infinidade e completude não pode nos deixar conhecer. Entre essas coisas que não conseguimos compreender com exatidão, permanece o amor.
Em um mundo cheio de corações quebrados e desencontrados deve ser uma sorte muito divina quando almas que sempre tiveram a mesma busca se encontram.

Outro dia, eu falava com uma pessoa e ela me dizia que não acreditava no amor. Esse é o discurso mais reiterado que existe sobre esse sentimento. Aposto com vocês que nesse exato momento, se vocês lançassem uma pergunta sobre esse sentimento a mais ou menos umas dez pessoas, infelizmente, seriam negativas as impressões sobre ele, do tipo que é lindo, porém, na vida real, não existe.

Eu olho ao redor e o descrédito em relação a ele é enraizado. Realmente, amar tem sido um dos planos mais audaciosos e corajosos, principalmente nos tempos atuais, ainda mais, com tanta oferta nas redes sociais.  São muitas questões que dificultam o amor. Penso eu que se todas as pessoas ou boa parte delas não acreditam que podem encontrar o amor de suas vidas, então, realmente não encontrarão, afinal, a mente direciona ao encontro daquilo que temos como intenção. Partindo desse prisma, então, os desencontros, os casos, as casualidades sexuais sempre estarão em alta. NADA CONTRA ISSO! POR FAVOR! Mas, é que eu acho que o amor não é um ladrão, entende? Como? Vou explicar o que eu acabei de dizer.

O amor é uma construção diária e cuidadosa. Primeiro, você tem que desejar amar! Isso mesmo! Pode parecer uma loucura, mas é isso mesmo! Se você deseja um amor de verdade, você tem que desejar isso, tem que desejar que sua alma seja tomada por alguém, que seu coração seja preenchido e que seja ETERNO. Depois dessa intenção, você tem que acreditar que Deus colocará essa pessoa na sua vida, e isso, podem deixar nas mãos dele.  Deus é um ser sábio por demais, sendo assim, Ele fará isso. Ele sabe as intenções mais secretas de nossos corações e permitirá SOMENTE AQUILO que envolve muito mais do que qualquer coisa efêmera ou carnal.

E voltando ao que eu disse, eu não acredito que o amor seja um ladrão, algo que rouba de você o ar em quinze minutos sem antes ou depois. Primeiro, é uma descida sobre cada pele que cobre o ser amado. É dia a dia estar curioso por conhecer o que há no ser amado e que ninguém conhece, é a intenção mais real e profunda de abrir sua alma e deixar que o outro entre dentro dela, e nisso tudo, ambos terem a intenção   mais verdadeira de respeito e desejo por si mesmos. É semelhante a dois grandes guerreiros que, a princípio, por serem tão bons, poderiam estar em lados opostos, no entanto, as habilidades de cada um são tão especiais, tão únicas que sentem a necessidade de se unirem e lutarem do mesmo lado.

Eu não sei qual sua praia, mas estou naquela   que diz que o amor é um empreendimento que deve ser cuidado, observado todos os dias. E isso, meus caros, acreditem no que eu estou dizendo: é uma das coisas mais difíceis que existem e podem existir.
Primeiro, você arrisca tudo. Essa é a lei fundamental de amar. Não há nenhum tipo de garantia, risco calculado, projeção que nos dê a certeza que teremos lucros. Esse é um projeto de alto risco, em razão disso, estimo que somente dez por cento queiram dar tudo, absolutamente tudo de si, todas as suas reservas de mãos beijadas.

Outro ponto bem interessante é que o amor é eterno sim, porém ele precisa ser tratado semelhante a um bem precioso! E é justamente nesse ponto onde muitos de nós cometemos erros recorrentes. Temos a mania de considerar que porque somos amados, não precisamos nos empenhar para que o sentimento permaneça. Ao contrário! É preciso de atenção, ajustes, além de ser uma CONSTRUÇÃO! Infelizmente, os desencontros amorosos ocorrem justamente por causa disso: achamos que o outro vai nos amar eternamente, por isso, o pouco cuidado, o desdém e tantas outras ações negativas contribuem para o final.

Reitero: o amor é o mais ousado e arriscado empreendimento que há.
Isso não é uma receita. Não é uma forma de definir o que é o amor, pois obviamente, como eu disse a princípio, é de conhecimento de Deus o que ele realmente é. Eu, nesse caso, consigo apontar o que não é; consigo apontar, também, caminhos que indicam se ele pode vingar em determinado coração ou não, somente isso.


No fim, eu somente queria que o amor fosse um objetivo, não o fruto mais escasso do nosso tempo.

_ Eliane Vale 

sexta-feira, 25 de março de 2016

O mundo que não vemos quando não estamos ali.



Eu sempre tive curiosidade de saber como as coisas funcionam quando não estou nos lugares.
Eu tinha o desejo de saber como tudo funciona quando não existo, quando não estou naquele plano, naquela esfera. Não falo de uma forma atrelada à conversa de bastidores que ocorrem ou possam ocorrer quando qualquer um de nós estamos distantes. Falo de outra coisa. Falo de tudo que engloba o que somos e como impactamos ambientes e pessoas, e também, de como somos ausência ou nada quando não exercemos influência alguma.

Mas, enganei-me muito, ou nos enganamos deveras quando consideramos que até nossa ausência não é nada. O nada também impacta sobre o que existe. O nada é uma força, que seja uma força de retração ou negativa, mas é uma força. Ao que me parece, nesse mundo, não há como vivermos sem causar impacto algum. Sempre o que dizemos, o que fazemos causa repercussão, consequência e, até nosso silêncio, também é ação.

Quando eu saí daquele apartamento, resolvi experimentar isso. Resolvi ir onde eu não existia.
Eu não estava em diversos lugares...  Em diversos lugares, pois, eu olhava para mim, e eu estava ali, eu somente conseguia detectar onde eu estava, porém, naquele dia, naquela noite, eu precisava eleger apenas um lugar para ir. Eu queria saber como as coisas funcionam sem mim, como as pessoas são sem mim. O grande problema, a grande incoerência disso, desse meu desejo inusitado é que na hora em que eu intentasse ir onde eu anteriormente não estava, o meu objetivo inicial fracassaria: Ora! Eu acabaria de me fazer presente, logo, alteraria toda a ordem do ambiente.
Nesse ponto, notei uma coisa muito estranha... A minha ausência era a coisa mais presente nas pessoas, nas coisas, nos ambientes de todo o mundo, e a minha ausência era inalcançável. Era A MINHA AUSÊNCIA QUE MAIS EXISTIA.

Eu tinha brigado com Deus naquela noite. Eu já briguei com Deus muitas vezes. Mas, continuamos com o nosso embate eterno: ELE me ama e eu nunca termino minha conversa com ele, pois sempre alongo de forma proposital. É que preciso DESESPERADAMENTE DELE a todo tempo, a todo momento e para sempre, apesar de todo meu orgulho, é sem sentido eu esconder isso Dele, que dirá de vocês?

Continuemos. Saí, e em todos os lugares que intentei saber como minha ausência se fazia presente nos ambientes, percebi que fracassaria, haja vista que ao chegar, eu não mais perceberia minha ausência, pelo motivo óbvio de estar lá. Não é que me veriam. Não é isso.
É que me sentiriam. E sentir, SENTIR vale muito mais, muito mais do que qualquer coisa, QUALQUER COISA.

Depois, tive uma ideia: que tal ir a um lugar que nunca fui? Se assim, eu fosse, perceberia inicialmente minha ausência ou presença impactando aos poucos.
Essas coisas passavam pela minha cabeça ao mesmo tempo em que eu mesma me corrigia:
´´o problema é que eu estava querendo ser Deus...``

Eu viajei. Desci as escadas do mundo, e encontrei Deus numa esquina. Ele me olhou com desdém. Não me perguntou nada nem para onde eu ia ou se iria me encontrar com alguém. NÃO ME PERGUNTOU NADA! Deus havia me deixado livre, ao menos, daquela vez.
Eu não posso contar o que vi. É que Deus não permite isso.
Mas, eu posso dizer que fracassei. Nunca deveria ter saído da varanda.

Eu amei o mundo. Amei tudo que nele havia e como ele se apresentava para mim. O mundo era vasto, sombrio, iluminado e eloquente. Deu-me tudo que ele poderia e eu, em contrapartida, dei-lhe da mesma forma, tudo que havia em mim. O mundo morava na minha varanda. Vez ou outra, eu olhava para ele.

Quando desci as escadas e virei a esquina, encontrei um senhor de barba branca aparentando seus cinquenta anos, e ele me perguntava se eu havia esquecido o manual, O MANUAL!
Claro! Eu havia esquecido o manual! Como eu poderia ter esquecido? Voltei, subi as escadas correndo, porém, para minha frustração, Deus me segurou pelo braço.
_ Que foi? Solte-me!
_ Retorne. Nada de manuais, mocinha!


Eu odiava   nadar à deriva! O-DI-A-VA! Odiava não saber!!! Odiava não ter certeza!! Minha vida sempre é pautada sob certezas. Difícil isso? É, é bem difícil mesmo de acreditar, mas não fico à deriva, ISSO, NÃO! JAMAIS! Mesmo assim, obedeci à contragosto. Não peguei o manual. Daquela vez, daquela única vez, eu ia dar uma chance ao mestre do mundo. Eu não iria usar o manual somente porque tinha sido Ele que havia me pedido. Daquela vez, eu tinha deixado tudo nas mãos de DEUS, e eu sabia que estava nas melhores mãos.


_ Eliane Vale

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Esse cara me ama!



Eu tinha uma certa intimidade com Deus. Isso era bom e mal. Por exemplo, havemos de convir que ter intimidade com qualquer pessoa nos faz ficar muito crus diante dela, faz-nos mostrar todas as coisas comuns, feias, baixas, sujas, nojentas, enfim, a parte humana rejeitada por nós mesmos.
Pois bem, eu tinha intimidade com Deus. Isso, poderia ser um grande problema para mim, um grande e terrível problema. Porque, vejam só, era mais seguro ter intimidade com os familiares, com amigos e com o porteiro do prédio, afinal, ele recebe todas as minhas contas e meus visitantes, ou seja, eu, também, tenho uma certa intimidade com ele sim!
Mas, como sou teimosa, eu resolvi ter intimidade com Deus! Isso mesmo, com Deus!!!


Bem, isso não é fácil para ninguém, agora, o que me dirá você se eu disser que nós brigamos? Que vez ou outra a gente quase sai no tapa, eu e Deus,? Pois é. Intimidade faz essas coisas... Até com Deus, tudo não sai tão bonito. Obviamente que a parte feia é totalmente de minha responsabilidade.


Eu gosto muito de café. Deus não gosta. Ele detesta a cafeína e qualquer coisa que altera o ritmo humano das coisas, por mais simples, muito simples que seja. E o que faço? Tomo religiosamente café todos os dias. Eu já avisei a ele que sou incrivelmente teimosa, cabeça dura, e que se ele me ama mesmo, vai ter que ter paciência comigo SIM!


Mas eu não tomo somente café. Se eu tomasse somente café, Deus já teria me abandonado, afinal, eu seria algo desinteressante e pouco desafiador para Ele. Eu já fiz e faço coisas dignas de um ser humano imperfeito. Mas, diante disso, outro dia, quando despertava às 3 h 30 min, fui tomada por um profundo sentimento de paz e tranquilidade, ali, eu sentia que alguém queria falar comigo. Não poderia ser em outro horário. Tinha que ser ali, naquele momento. Levantei, fui à varanda, e olhando para o céu, senti o cara mais teimoso de toda a minha existência: Deus!


Pois é. Até o momento, eu pensava que eu era a pessoa mais teimosa e cabeça dura desse mundo, mas BRÁ! Deus, logo ali, ainda estava tentando falar comigo! COMO??? Como ele ainda insistia e continuava insistindo comigo??? Eu não acreditava naquilo... Não poderia ser... Tive uma conversa séria com ele. Falei olho no olho, porque intimidade faz isso! Ele é tão esperto que não basta somente saber tudo sobre mim, Ele ainda quer que eu diga! Que eu diga! Acreditam?! Sei não... esse cara é demais mesmo...


Saí da varanda com a sensação que ainda não tinha terminado toda a conversa. Essa sensação sempre me acompanha. Eu nunca termino efetivamente uma conversa com Deus. Ele sempre aparece uma vez ou outra, e eu, que não sou boba nem nada, deixo sempre assunto para o próximo encontro.



Geeeeeeeeeeennnntttttttteeeeee, espere mais um pouco! Deus está me chamando outra vez! Esse cara me ama....

Eliane Vale. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

CATARSE DO AMOR







Quando o amor invadir e quiser uma resposta rápida e precisa qual fosse uma lâmina afiada
Eu digo:
AVANCE!
AVANCE!!

Essa pode ser a sua última chance de cortar os pulsos.
Avance!!
Avance!!

A dor é algo que faz o ser humano incrivelmente forte
Avance!
Avance!

E se o amor chegar e exigir de você que os castelos sejam desfeitos
Repito:
AVANCE!!
AVANCE!!

Derrube as estruturas.
Porque se for amor, se é amor, ele vai te derrubar por inteiro até lhe fazer outra pessoa, até matar você, arrancar seu ar e depois soprar uma nova alma em você.
AVANCE!! 
AVANCE!!

E se no ar o choro e o grito soarem, grite mais forte, chore mais forte.

Porque se for amor, se é amor, ninguém pode escapar!
Porque o amor destrói e constrói por onde passar.

Por    Eliane Vale

domingo, 10 de janeiro de 2016

UMA CRISE INFERNAL

  


                                                                

O inferno há muito tempo tem sofrido com super-população. O Umbral também tem crescido assustadoramente e havia uma necessidade enorme de uma modificação, uma restruturação naquele espaço. É bem verdade que o Diabo já tinha feito várias reformas, ou melhor, minirreformas, mas aquela não era sua especialidade. Ele tinha feito puxadinhas; invadido o quintal, mas nada era o suficiente.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

QUANDO AS ESTRELAS CAÍRAM DO CÉU





Eu segurava estrelas cadentes com as mãos.
Cada uma tinha um brilho incandescente.
Eram estrelas cadentes!
Incrivelmente iluminadas!
Pus-me de joelhos para recebê-las.
Mas, exigiram-me postura ereta:
Que eu ficasse de pé!


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A despedida da amante







( Modalidade: Carta)



Meu  Carlos Oliveira  Braga Souto,



Mais uma madrugada gélida, tétrica e insólita me ataca. Com o gosto dos amantes abandonados sobrevivo a esta solidão.

Você não apareceu. De fato, por ser sábado, cumpriu seu cronograma familiar e religioso, diria até intelectual, visto que os livros sempre o acompanham para todo lugar. Você é absurdamente inteligente, articulado, de uma calma inigualável, é de uma grandiosidade tão excedente que é praticamente um monstro. Você possui diversos predicativos ou predicados, mas não é meu.
Percebe, agora, que sempre tive razão ? Percebe que nós tínhamos prazo de validade já postos em nossos corpos-embalagens ?

O secreto diário de K






Hoje, minha torrada queimou. Também não gosto de cachorros. Gosto de gatos, eles são interesseiros e verdadeiros. Os gatos mostram-se. Decidi tomar apenas o café, o café quente. Enquanto aquele líquido negro adentrava em minha boca, eu sentia um prazer inenarrável, um prazer vigoroso, um prazer divino. Naquela manhã, minha mente estava forte novamente e  eu cedia, cedia ao meu bel-prazer. Como desejava que aquele líquido fosse mais grosso, como eu desejava que fosse mais viscoso.  Minha boca enchia-se de saliva e eu tinha apenas aquele pobre café em minha caneca.

A INVESTIGAÇÃO






             Era sexta-feira. Mas, não era treze.  Mais uma conversa filosófica entre eu e um amigo se desenrolava. Ora, em um lado, eu dizia que deveríamos confiar nas pessoas, que das pessoas poderíamos ainda esperar, em maior parte, boas atitudes. Fui considerada uma utopista!! Meu amigo discorria com grande habilidade sobre os sentimentos podres dos seres humanos.  Ele, pessoa inteligentíssima, adorável, amigável, espetacular, alguém de padrões éticos transcendentes e quase divinais,  alguém que admirei desde o primeiro momento, enfim, um amigo que sempre o escuto e ouço, dizia que 70% das pessoas eram  constituídas, em sua essência,  de sentimentos pétreos, pútridos e utilitaristas. Meu amigo, tão querido, desejava me convencer e, mais, provar que 70% das pessoas são farsas sociais. Segundo ele, eu não deveria confiar nas pessoas e, muito menos, não deveria me dar demais a elas. Ele me disse que eu era demasiadamente ingênua e pura. Discordo de tal assertiva.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Os seus vários animais









( Prosa poética)


Muito poderia parecer prepotência ou semelhante. Mas, em absoluto, eu não conhecia ser que fosse veneno e cura como aquele ser que estava bem em frente a mim.
Por vezes, muitas vezes, observei seus gestos, suas ações, seu modo de falar.
Pouco pude descobrir. Ela é o maior mistério de toda a minha vida, nem que eu tivesse que viver centenas de anos, tenho certeza de que algo me escaparia, pois é de seu ser escapar de minhas próprias mãos, por mais que eu a mantenha forte sob mim, por mais que eu a agarre  e a fira entre meus dedos. Nela, sempre haverá uma força descomunal de mudar a posição, de mudar a palavra, de mudar o trejeito e, pior, estou indefeso diante disso. Pois, sempre, contei com seres previsíveis, metodicamente adestrados, enclausurados.
Mas estou com um animal que não é domesticado!!! Estou com um animal cru, bruto, desconhecido e dócil!!! Um animal que reúne veneno e cura, dor e alívio, doçura e brutalidade!!

Não é possível!! Como posso mapear sua mente e coração?!
Como posso chegar ao seu coração??!!
Nas horas que mais me aproximei, que finalmente pude por um momento agarrar o seu coração, sofri um golpe fatal de amor, que me deixou atônito, porque ela é incrivelmente fugitiva, incrivelmente escapadiça e somente se dá quando se quer dar, e somente se oferece, quando realmente quer se oferecer.

Como posso viver assim?! Com um animal tão bravio?
Sempre fui pronto para combater animais ferozes.
Sempre fui preparado para  acolher a doçura.
Mas, em apenas um único animal, existir tudo de mais contraditório e complexo, não!
Nunca me ensinaram que em doses severas, ela poderia me matar.
Nunca me ensinaram que em doses amenas, a sua falta também me mataria e que sua doçura também me mataria.
E que de qualquer forma, de qualquer jeito, pouco ou muito, fraco ou forte, devagar ou depressa, ela, somente ela poderia me matar.
Eu não sabia que o feio e o bonito,
Que o santo e profano,
Que o benigno e maligno,
Que o doce e salgado, 
 E que tudo isso havia apenas numa mulher, que era deus e o diabo.

Li, reli, estudei. Ainda não sei os seus segredos.
Quando penso que estou bem próximo, bem próximo, quase que a pegá-la pela mão e descobrí-la, desmascará-la, ela me golpeia com um dado surpresa.
CHEIA DE SURPRESAS!!
Sempre feita de lacunas, e eu continuo escravizado pelas  faltas que não consigo compreender, porque é esse controle que não tenho sobre ela, é isso que me faz escravo dela.

Eu não sei o que há, mas eu sei que ela é o único veneno o qual sempre quero tomar.

_ Eliane Vale.