Minha caixa de email estava cheia mais uma vez, e lá,
surpreendentemente, estava o seguinte texto:
´´ Algumas pessoas mudam, mudam totalmente. Mudam porque o
mundo nunca as conheceu de verdade. Tudo que viveram até dado momento era uma
caricatura do que desejavam ser, do que projetavam para suas vidas, mas, em um
dia, cai sobre elas a verdade do próprio ser. Outras, jamais mudarão. Jamais
mudarão! São pessoas constituídas de pluralidades, e a cada tempo, vestem as
roupas que são naquele momento! São pessoas mundos, como diria um poeta
descompensado. Mas, hoje, eu me lembrei
de você, de VOCÊ, e não cheguei a nenhuma conclusão... Você pode me ajudar ? ``
O email acima vinha
de um amigo que por muitas vezes, também, se vestiu de camaleão durante sua
vida, mas ele, ao contrário de mim, tinha acertado o passo. Ele já sabia
concatenar os mundos que viviam nele. Já os meus continuavam vivendo e morrendo
nos extremos que sempre viveram e que sempre foram.
O corpo possui vozes.
A cognição pode nos dar percepções mais profundas do que se vê, do que
se pode tocar, e às vezes, do que se pode dizer. E este mundo é um amontoado de
frequências cognitivas!!! Sinceramente,
o conteúdo do email não foi nenhum espanto para mim, apenas o que me causou
surpresa foi o seu emissor. Mas não é isso que é importante: nem o conteúdo,
nem o emissor.
Não é cortante! Não escrevo isso sangrando como muitas vezes
escrevi, como muitas vezes deitei toda minha alma aqui. Não escrevo mais
daquela forma. Eu morri. Eu estava esperando o momento exato para dizer aos
mais íntimos, aos mais queridos, que eu morri. Foi uma morta triunfal, acredite!
Todos os dejetos, sangue, vísceras foram expostos. Tudo de mais horrível esteve
à mostra para os amigos e inimigos, por isso, fui execrada. Eu morri! Em posse dessa verdade que lhe conto, direi
a outra parte, a que foi ocultada até o presente momento. Ouça! E se for
realmente do seu interesse, continue a leitura, caso contrário, pare, por
favor.
Depois de minha morte, quando fui sublevada dessa matéria
para outra dimensão, estive por três vezes em contato com meu demônio
particular. O primeiro encontro foi
bastante atraente, lascivo. Apesar de
ele ser quadrimensional, eu sabia da existência dele, eu sabia exatamente com
os mínimos detalhes que ele vivia, que estava perto de mim, que me vigiava, e
que me queria. Eu conhecia o demônio minunciosamente, e nunca tive problemas
com isso. O problema é que eu não me
conhecia!! E esse sempre foi O MEU
CALCANHAR DE AQUILES !!!
Não posso dizer o que nós conversamos, mas ele me deu
algumas instruções. E eu me lembro
PERFEITAMENTE do seu rosto, olhar, voz e gesticulação. IN-CRÍ-VEL !!
O segundo encontro, foi bem mais perturbador. Dessa vez, não
me deu NENHUMA INSTRUÇÃO !!! Nada!! O que posso dizer é que ele me desafiou.
Nesse encontro, ele me fez dois testes que desejavam medir algumas coisas em
mim. Mais uma vez, permaneci intacta, altiva e firme.
E por último, na última vez, pouco falamos. A sua tentativa
comigo foi diferente, dessa vez. Astutamente, tentou me enganar. Não sei se ele
conseguiu, mas o que sei é que suas investidas são constantes, e que apesar de
eu ter morrido completamente, tenho também vivido outros padrões, outras transcendências.
Por fim, acho lamentável morrer e ficar presa
Ah! Ia esquecendo!!! Espero ter deixado você satisfeito.
Bom domingo!!
Sem mais, Fernanda Soares.
Secretária Execultiva da Plug Plugues.
