Era sexta-feira. Mas, não era treze. Mais uma conversa filosófica entre eu e um amigo se desenrolava. Ora, em um lado, eu dizia que deveríamos confiar nas pessoas, que das pessoas poderíamos ainda esperar, em maior parte, boas atitudes. Fui considerada uma utopista!! Meu amigo discorria com grande habilidade sobre os sentimentos podres dos seres humanos. Ele, pessoa inteligentíssima, adorável, amigável, espetacular, alguém de padrões éticos transcendentes e quase divinais, alguém que admirei desde o primeiro momento, enfim, um amigo que sempre o escuto e ouço, dizia que 70% das pessoas eram constituídas, em sua essência, de sentimentos pétreos, pútridos e utilitaristas. Meu amigo, tão querido, desejava me convencer e, mais, provar que 70% das pessoas são farsas sociais. Segundo ele, eu não deveria confiar nas pessoas e, muito menos, não deveria me dar demais a elas. Ele me disse que eu era demasiadamente ingênua e pura. Discordo de tal assertiva.
Conversamos por horas!!!
...
Voltemos com a estatística do meu amigo chato e adorável.
_Querida amiga, outros 20% da humanidade são de pessoas com razoáveis padrões éticos, visto que, quando se apresenta uma oportunidade para o autobenefício, elas, ainda assim, o aproveitarão, mesmo que isso venha a prejudicar aos outros. Somente 10% da humanidade detém bom e exímio caráter .
Segundo ele, somente 10 % das pessoas eram honestas e sinceras.
Depois dessa conversa, muitos pensamentos povoaram minha cabeça...
Outro dia, o encontrei, e ele disse:
_Porque nunca mais me ligou? Desapareceu? O que aconteceu?!
Respondi:
_Estou a examinar de qual estatística você parte!!!
_ Eliane Vale

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