Todo nosso julgamento é parte íntima, muito íntima de nossa própria experiência. Se somos capazes de perdoar ou amaldiçoar algum fato alheio, é muito provável que agimos de acordo como agiram conosco; é muito provável que semelhante ato, cometemos ou estivemos na iminência de fazê-lo; isso, porque vivemos na velha lei de talião: olho por olho, dente por dente.
Alguns humanos, porém, conseguem a proeza de agirem diferente, de responderem contrariamente ao perdão negado, às desculpas que não foram aceitas. Mas esses humanos são exceções. Certamente, em toda sua vida, em toda minha vida, nós haveremos de conhecer apenas um exemplar quando possível. Um conselho: agarrem-se a esse exemplar escasso. Não deixe que ele escape sem destruir um preconceito ou um defeito seu. Isso fará muita diferença para você, dentro de você.
Há quem diga que a centelha divina sobreviva no ser humano, contudo, é apenas uma centelha, apenas uma centelha sob um envoltório de humanidade pecaminosa. Sendo assim, lutar contra nossa humanidade e ainda estar intrinsecamente ligado a ela é quase como conviver com um inimigo que é impreterível a nossa própria evolução.
Quando apontamos o outro, mas no meio do defeito alheio, conseguimos identificar o que temos em comum com o nosso alvo, é dolorido, mas revitalizador.Perceber isso significa que estamos realmente compreendendo a nossa humanidade falha, suja e renovadora. Quando me perco demasiadamente no outro, estou dando muito espaço, muita importância a quem ou ao que muito há em mim. Isso também é uma espécie de identificação. Não há como falar reiteradamente sobre rosas sem ao menos nunca ter sentido o perfume delas.
Sigamos em paz e aprendendo.


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