( Prosa Poética)
Verdade e mentira
Sou verdade, muita verdade
E mentira, muita mentira
Verdade e mentira?
Verdade e mentira.
Passo pelos lugares e observo pessoas:
Quem são as de verdade?
Quem são as de mentira?
Acaso, qual roupa vestiram naquele exato momento em que as
vi?
Em que as senti?
Ahhhh.....
Verdade e mentira....
No bar, pedi uma dose.
Queria saber que pessoa eu ali sairia, depois do meu alcoolismo.
Não! Nem o álcool consegue me responder.
Nem a droga lícita
consegue fazer isso por mim.
Ninguém consegue fazer isso por mim.
Pedi três cigarros: um para mim, outro para mim, e outro
para mim também.
Lembrei-me: NÃO FUMO!!!
Vendedor! Vendedor!
Eu não fumo!!! Eu não fumo!! Como pode me vender isso?
Verdade... e mentira...
Quem é de verdade?
Quem é de mentira?
Comprei sapatos. Calcei-os. Fizeram-me calos.
Mas os sapatos realmente eram pra mim!!!
Eles me fizeram CALOS!!
Vendedor!!! Vendedor!!!
Finalmente os sapatos me fizeram calos!
Os sapatos eram para mim....
Verdade e mentira...
Verdade. Mentira.
Abri a carta mais uma vez.
O defunto me contou que me ama.
Idiotas andam a esmo em qualquer cama
E, por isso, se oferecem.
Verdade. Mentira.
Tire a roupa boneca, homem, criança.
Quer café?
Matei dois homens hoje à tarde.
Não gosto de matar. Mas matei dois homens hoje à tarde.
Vou matá-los sempre. É um vício.
Verdade. Mentira.
Verdade. Mentira.
O baile permanecia cheio quando retirei a máscara.
Debaixo, outra máscara.
E outra,
E outra.
E outra,
E outra,
Todas eram verdades
E mentiras
Que nem eu sabia que existiam.


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