Danças, bailarina! Danças?
Quão leve é teu corpo e tuas plumas...
Quão delineado é teu vestido e teu corte corporal...
Mas , danças? Danças, bailarina?
Saltava no palco, em altos voos a perfeição.
E sobre ti, os olhos eram de sublimação
Mas, Danças... Danças ? Danças, bailarina!!!
Veja! O espetáculo espera por ti!
Ahhhhhh... O palco!!!! O PAL-CO!!!!
PALMAS PARA TI!
Não! Não digas que em teus pés há calos!
Não digas que possuis órgãos fraturados!
Não digas que teus dedos são feridos
E possui ferida INCURÁVEl !
Não digas.
A beleza, a beleza é uma falsa anfitriã.
Mas é a feiura, é a feiura que possui a destreza de suportar os calos e a dor.
Vá para o palco, bailarina, e danças... DANÇAS!
É de porcelana?
Mas cacos possuem lâminas !!!
E se é de porcelana, não quebras?
O que há nesta submersa peça?
Com pele alva da máscara teatral cativas também animal?
Ahhh... bailarina... DANÇAS!!! Danças, fera triunfal!
Não percebes que tuas dores alimentam tua beleza?
Que tua leveza vem da chaga em ti instaurada?
E quando voas, és o mais lindo pássaro fulgural?
Então, danças minha pequena fera,
Porque eu hei de esperar por ti,
Para todo o sempre, a tua essencial PE-ÇA !!!
Eliane Vale

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