quinta-feira, 1 de outubro de 2015

QUANTAS VEZES É POSSÍVEL AMAR ?


             




               Reencontrei um velho amigo na fila de um banco. Hoje, já em seu terceiro casamento, dizia  amar mais uma vez e que finalmente havia encontrado a mulher de sua vida. De fato, a vida, para ele, permanecia estabilizada: o casal estava compenetrado na educação dos dois filhos. O homem de pouca idade e me perdoem aqueles que consideram uma pessoa de quarenta anos velha, era casado a pouco tempo_ cinco anos_ se considerarmos que com as outras ele passara relacionamentos bem mais duradouros. Parecia-me feliz, era isso que meu antigo e bom amigo me parecia. Enquanto o tempo se estendia, ele me contava o que fazia da vida e como conhecera a sua esposa. Seus lábios contavam a sua história, mas em mim, eu fazia uma pergunta interna: O que aconteceu com os amores anteriores? O que aconteceu?


              Bem, aquela conversa terminou e nós trocamos emails para posterior contato. Não havia dúvida, meu amigo amava.
As pessoas me dão muito. Sempre me dão. Eu ganho muito com as experiências às quais sou exposta e, por mais que eu tente manter as coisas naturais, eu sempre capto uma fina camada escondida, uma fina camada sob aquilo que não se diz ou não se tem coragem de dizer.
            
             A vida também nos dá coisas nos momentos mais inusitados. Surpresa, como o próprio nome já diz, é aquilo que nos tira do lugar e que nos empurra a um momento de êxtase ou reflexão em fração de segundos. Assim, foi o que aconteceu quando conheci a seguinte frase: ´´ Somente é possível amar uma única vez``. Quem disse a frase? Outro amigo. Esse, apesar dos muitos relacionamentos, sempre foi muito claro ao dizer que nunca amou. Ele me dizia que estava apaixonado, estivera apaixonado em raras vezes, mas nunca me disse que amou verdadeiramente; e ele ainda busca por esse amor sublime.  Segundo ele e com convicção espantosa, dizia-me que o amor não acaba, logo, não poderia ter amado nenhuma vez, mas estivera apaixonado, ou muito apaixonado, em algumas vezes.
         
             Sinceramente, eu saio dessas conversas, desse tipo de conversa como se eu estivesse me refazendo. Meu intuito, no primeiro momento, é tentar descobrir quem está certo. Seria aquele que disse amar pela terceira vez ou este que me disse que nunca amou, pois, segundo o último, reiteradamente, o amor não acaba.
Está aí uma questão que me acompanhou por muito tempo.  Obviamente não falo do amor universal, fraternal; o que discorro aqui é sobre o amor entre duas almas que se desejam e se permitem sonhar com planos para este mundo e, quiçá, para outro também.
           
             No vai e vem da vida, encontrei o último personagem. Após três anos distante de quem um dia  julgou  estar apenas apaixonado, ele a reencontrou e se descobriu amando, contudo,  e em apenas um ano, o amor eterno e incondicional entre ambos foi abaixo. Agora, naquela conversa pelo telefone, disse-me que em toda a sua vida, apenas naquele momento e por aquela mulher, havia nutrido o amor realmente, no entanto, era preciso continuar a viver. Eu lhe dei os conselhos de praxe, mas não pude esquecer, nunca pude esquecer de toda a sua certeza de ter amado uma única vez; de se saber amar apenas uma vez.  A partir daquele momento, ele precisaria seguir com o coração em frangalhos, no entanto, ele nunca mais amaria? O que faria, então? Será o amor dependente apenas de definição temporal? Sim? Ou Não?
       
             Desde então, como não consegui e não consigo responder a essa questão, e reconheço a minha ignorância na definição do assunto, busco a resposta: Quantas vezes é possível amar?
( Ajudem-me com a questão.)
_ Eliane Vale.


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