Reencontrei um velho amigo na fila de um banco. Hoje, já em seu
terceiro casamento, dizia amar mais uma vez e que finalmente havia
encontrado a mulher de sua vida. De fato, a vida, para ele, permanecia
estabilizada: o casal estava compenetrado na educação dos dois filhos. O homem
de pouca idade e me perdoem aqueles que consideram uma pessoa de quarenta anos
velha, era casado a pouco tempo_ cinco anos_ se considerarmos que com as outras
ele passara relacionamentos bem mais duradouros. Parecia-me feliz, era isso que
meu antigo e bom amigo me parecia. Enquanto o tempo se estendia, ele me contava
o que fazia da vida e como conhecera a sua esposa. Seus lábios contavam a sua
história, mas em mim, eu fazia uma pergunta interna: O que aconteceu com os
amores anteriores? O que aconteceu?
Bem, aquela conversa terminou e nós trocamos emails para
posterior contato. Não havia dúvida, meu amigo amava.
As pessoas me dão muito. Sempre me dão. Eu ganho muito com as
experiências às quais sou exposta e, por mais que eu tente manter as coisas
naturais, eu sempre capto uma fina camada escondida, uma fina camada sob aquilo
que não se diz ou não se tem coragem de dizer.
A vida também nos dá coisas nos momentos mais inusitados.
Surpresa, como o próprio nome já diz, é aquilo que nos tira do lugar e que nos
empurra a um momento de êxtase ou reflexão em fração de segundos. Assim, foi o
que aconteceu quando conheci a seguinte frase: ´´ Somente é possível amar uma
única vez``. Quem disse a frase? Outro amigo. Esse, apesar dos muitos
relacionamentos, sempre foi muito claro ao dizer que nunca amou. Ele me dizia
que estava apaixonado, estivera apaixonado em raras vezes, mas nunca me disse
que amou verdadeiramente; e ele ainda busca por esse amor sublime. Segundo ele e com convicção espantosa, dizia-me
que o amor não acaba, logo, não poderia ter amado nenhuma vez, mas estivera
apaixonado, ou muito apaixonado, em algumas vezes.
Sinceramente, eu saio dessas conversas, desse tipo de conversa
como se eu estivesse me refazendo. Meu intuito, no primeiro momento, é tentar
descobrir quem está certo. Seria aquele que disse amar pela terceira vez ou
este que me disse que nunca amou, pois, segundo o último, reiteradamente, o
amor não acaba.
Está aí uma questão que me acompanhou por muito tempo. Obviamente não falo do amor universal,
fraternal; o que discorro aqui é sobre o amor entre duas almas que se desejam e
se permitem sonhar com planos para este mundo e, quiçá, para outro também.
No vai e vem da vida, encontrei o último personagem. Após três
anos distante de quem um dia julgou estar apenas apaixonado, ele a reencontrou e se descobriu amando, contudo, e em apenas um ano, o amor eterno e
incondicional entre ambos foi abaixo. Agora, naquela conversa pelo telefone, disse-me
que em toda a sua vida, apenas naquele momento e por aquela mulher, havia nutrido
o amor realmente, no entanto, era preciso continuar a viver. Eu lhe dei os
conselhos de praxe, mas não pude esquecer, nunca pude esquecer de toda a sua
certeza de ter amado uma única vez; de se saber amar apenas uma vez. A partir daquele momento, ele precisaria
seguir com o coração em frangalhos, no entanto, ele nunca mais amaria? O que
faria, então? Será o amor dependente apenas de definição temporal? Sim? Ou Não?
Desde então, como não consegui e não consigo responder a essa
questão, e reconheço a minha ignorância na definição do assunto, busco a resposta:
Quantas vezes é possível amar?
( Ajudem-me com a questão.)
_ Eliane Vale.

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